A intenção para a criação do Grupo de Pesquisa Cidade que Educa origina-se com base nas experiências adquiridas por um projeto de mesmo nome, que vem sendo desenvolvido, desde 2021, na cidade de São Carlos (SP), por meio de uma ampla parceria entre pesquisadores da USP e da UFSCar, comunidades de bairro, representantes do legislativo, estudantes, escolas públicas, grupos e moradores locais.
Nas ações de ensino-pesquisa-extensão realizadas, identificou-se um conjunto de práticas e intervenções produzidas pelas comunidades, sobretudo em espaços públicos, que buscam atender às suas necessidades e usos cotidianos, diante da insuficiência ou inadequação de políticas públicas e de investimentos dirigidos à garantia do Direito à cidade.
A principal razão, portanto, para desenvolver este projeto no IEA é a possibilidade de criar um espaço de reflexão crítica que conduza estudos avançados nas temáticas relacionadas ao projeto.
Desse modo, o objetivo geral é analisar e compreender as práticas socioespaciais desenvolvidas nas comunidades urbanas, suas relações e possibilidades de transformação dos territórios, com produção conjunta do conhecimento. De modo específico, busca-se investigar dinâmicas sociais e territoriais; identificar percepções, experiências, saberes e demandas sociais; propor ações cocriadas com produção conjunta do conhecimento e avaliar o impacto das ações.
O projeto será realizado em regiões da cidade que possuem comunidades organizadas (inicialmente a Vila São José e o Cidade Aracy) e que já desenvolvem práticas em espaços públicos acarretando transformações urbanas. Esses territórios de atuação terão como pontos de ancoragem os espaços públicos e suas relações com os espaços escolares e demais equipamentos comunitários urbanos. Tendo o conceito de Cidade Educadora como elemento transversal, o projeto estrutura suas ações em quatro eixos: Cidade, cidadania e produção do espaço; Cidade, clima e natureza; Cidade, saúde e lazer; Cidade, cultura e memória.
O grupo ampara-se em uma estratégia e metodologia geral que visa produzir, sistematizar e difundir conhecimentos e saberes plurais de forma dialógica e comprometida com as demandas das comunidades envolvidas. A interação dialógica do saber acadêmico com os saberes locais ocorre por meio da troca de conhecimentos, ciência cidadã, participação e contato com as questões complexas contemporâneas presentes no contexto social. Busca-se, também, a interação e o trânsito de escalas socioespaciais, nos quais a análise de fenômenos geográficos são compreendidos em diferentes extensões territoriais, permitindo uma compreensão mais completa da realidade.
As atividades serão realizadas em três ciclos articulados e complementares: ciclo conhecer; ciclo cocriar e ciclo avaliar.
Envolvem caminhadas de aprendizagem; leituras territoriais e mapeamentos participativos; escuta comunitária, relatos etnográficos e inventários participativos; oficinas de cocriação e ciência cidadã; revisão crítica e avaliação de acompanhamento.
Os resultados serão produzidos em cadernos-sínteses, painéis, exposições, eventos, artigos e livros. Espera-se, com isso: contribuir com o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, em especial: ODS 3, ODS 10, ODS 11 e ODS 13; ampliar o papel da universidade em parceria com os demais agentes urbanos; proporcionar oportunidades de transformação social; fomentar o intercâmbio de grupos científicos e não científicos formando redes colaborativas; contribuir com a gestão pública colocando a produção do conhecimento compartilhado à disposição da sociedade.
Responsáveis pela coordenação
Amanda Saba Ruggiero (IAU – USP)
Carolina Akemi Martins Morita Nakahara (IAU – USP)
Renata Bovo Peres (DCAm – UFSCar)
Tania de Fatima Salvini (Sociedade Civil)
Membros permanentes
Amanda Saba Ruggiero
Carolina Akemi Martins Morita Nakahara
Guilherme Alves de Sousa
Manuela Gaio Filla
Renata Bovo Peres
Tania de Fatima Salvini
Gustavo Rennó Rocha