Titular da Cátedra Clima & Sustentabilidade abre evento “Mudanças Climáticas e Cidades” na USP em São Carlos

No dia 4 de agosto, o pesquisador Carlos Nobre esteve no Campus da USP em São Carlos para participar do evento “Mudanças Climáticas e Cidades” promovido pelo Instituto de Arquitetura e Urbanismo.

Carlos nobre é climatologista de renome internacional, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT), co-presidente do Painel Científico para a Amazônia e lidera o Projeto Amazônia 4.0, que visa promover uma bioeconomia sustentável, integrando ciência, tecnologia e saberes locais. Além disso, é titular da Cátedra Clima & Sustentabilidade, sediada no Instituto de Estudos Avançados da USP. 

A conferência que proferiu na abertura do evento teve como tema “Mudanças climáticas: desafios a enfrentar” e trouxe um breve panorama da pesquisa desenvolvida pelo cientista ao longo das últimas décadas, dando ênfase às emergências climáticas e suas consequências iminentes.

No início da conferência foram expostos os principais fatores que fizeram com que a temperatura da Terra atingisse o aumento de 1,5ºC em 2024. Dentre eles, foram citados o efeito estufa, o derretimento do gelo marítimo no Ártico e na Antártida, a diminuição das nuvens e a sobreposição do fenômeno El Niño.

Em seguida, foram mostradas as principais consequências para o planeta ao alcançarmos pontos de não retorno, ou seja, limiares críticos no sistema terrestre que, uma vez ultrapassados, desencadeiam mudanças irreversíveis, mesmo com subsequente redução das emissões de carbono.

Neste momento da palestra foram citados algumas das consequências globais de grande impacto na vida terrestre: a morte de 20% dos recifes de coral, destruindo cerca de 25% da biodiversidade marinha e liberando milhões de toneladas de gases do efeito estufa, o derretimento do manto de gelo da Groelândia, elevando significativamente o nível do mar e ondas de calor cada vez mais frequentes, levando milhares de pessoas à morte.

Na sequência, foram apresentadas as drásticas transformações que estão em curso em cada um dos biomas brasileiros, além de seus impactos para a vida humana e para a sociedade. Dentre as consequências mencionadas estão a savanização da Floresta Amazônica, aumento da caatinga, desertificação de parte da caatinga já existente, enchentes e tempestades mais frequentes, além de parte do território tornar-se inabitável.

Para finalizar, Nobre mencionou os desafios da mitigação de tal situação, enfatizando que existem possibilidades reais de minimizarmos as consequências para o planeta, mas que estas dependerão da união do conhecimento científico com o conhecimento dos povos tradicionais, de mudanças estruturais no sistema produtivo, da realocação de parte da população, dentre outras ações efetiva do Governo por meio de políticas públicas urgentes.

Mostrou também alguns dos projetos por ele desenvolvidos, incluindo a criação de Laboratórios Criativos da Amazônia (LCAs), nos quais povos tradicionais e indígenas geram produtos não madeireiros com alto valor agregado,  utilizando a biodiversidade amazônica de maneira sustentável com utilização de alta tecnologia e sem geração de resíduos.

Veja um trecho da palestra aqui: